{"id":112,"date":"2010-02-24T20:04:15","date_gmt":"2010-02-24T23:04:15","guid":{"rendered":"http:\/\/lidis.ufrj.br\/blog\/?p=112"},"modified":"2014-09-05T11:49:38","modified_gmt":"2014-09-05T14:49:38","slug":"112","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/?p=112","title":{"rendered":"Entrevista com Alastair Fuad-Luke"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista com Alastair Fuad-Luke<br \/>\nPor GINA LOVETT, EDITORA DO DESIGN FOOTPRINT<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: MARCIO DUPONT<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/lidis.ufrj.br\/blog\/media\/blog\/a\/alastair_fuad-luke_2601.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"282\" \/><\/div>\n<p>Alastair Fuad-Luke \u00e9 um designer de origem inglesa, palestrante e facilitador no tema do design e sua rela\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade. \u00c9 tamb\u00e9m conhecido internacionalmente como designer-ativista, l\u00edder do movimento ?Design para a Sustentabilidade? dirigido aos diferentes setores da sociedade &#8211; empreendedores sociais, design educadores, servi\u00e7os e setores da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Autor dos livros Design Activism, The Eco-Travel Handbook e The Eco-Design Handbook.<\/p>\n<p>Na seguinte entrevista, feita para a editora da publica\u00e7\u00e3o inglesa Design Footprint, Gina Lovett, Alastair Fuad-Luke fala sobre o co-design loop e a sua viagem ao Brasil para o Abril com idds 2010:<\/p>\n<p><strong>Alastair, conte-nos um pouco sobre sua experi\u00eancia e como voc\u00ea ficou interessado em co-design?<\/strong><\/p>\n<p>Co-design, ou design colaborativo, \u00e9 parte de um amplo di\u00e1logo sobre ?Design-Projetando para a Sustentabilidade? (DfS) no qual eu tenho estado comprometido nos \u00faltimos 13 anos como educador, facilitador, consultor e escritor.<\/p>\n<p>Eu comecei escrevendo sobre co-design em 2006 [veja, por exemplo, no meu cap\u00edtulo Chapman &amp; Gant (2007) Designers, Visionaries &amp; Other Stories, Londres, Earthscan] e passei a desenvolver, ent\u00e3o, m\u00e9todos para os meus workshops, para reunir pessoas mesmo antes de ter um objetivo de design definido para questionar um projeto j\u00e1 existente ou oferecer solu\u00e7\u00f5es conjuntas.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 exatamente co-design?<\/strong><\/p>\n<p>Co-design \u00e9 uma abordagem para ?o pensamento projetual do design, sua realiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o?, que re\u00fane os diferentes atores para compartilharem as suas experi\u00eancias e conhecimentos para melhor compreender os problemas ligados entre si (a problem\u00e1tica), a fim de criar solu\u00e7\u00f5es projetuais que possam se autosustentar mais tempo e que tamb\u00e9m nutram nosso ambiente e nossas economias. Co-design re-conecta o que foi desconectado por nossos sistemas contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p><strong>O que torna co-design adequado para atingir a sustentabilidade?<\/strong><\/p>\n<p>Ao incluir um leque maior de pessoas e organiza\u00e7\u00f5es no processo de concep\u00e7\u00e3o, o co-design encoraja uma maior participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es chaves do processo de design e, portanto, traz uma ?intelig\u00eancia coletiva? ao ato de projetar. Algumas caracteristicas do co-design s\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Utiliza\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria atual e futura dos recursos (a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9 uma das quest\u00f5es cr\u00edticas do presente);<br \/>\nencoraja um pensamento mais sist\u00eamico, revela os efeitos em cadeia das nossas decis\u00f5es na etapa projetual;<br \/>\nencoraja as pessoas a serem participantes ativos e fornecedores de solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis (em vez de apenas consumidores passivos ou fabricantes inconscientes);<br \/>\nreconecta as pessoas para aspectos fundamentais e importantes da transi\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade como equidade e distribui\u00e7\u00e3o de recursos, os impactos distantes dos ?modos ocidentais de consumo?;<br \/>\nrevela novas formas e possibilidades de fazer as coisas de maneira diferente, como a cria\u00e7\u00e3o de novos modelos de emprendimento;<br \/>\nincentiva as pessoas a acreditar que podem tornar-se cidad\u00e3os ativos e profissionais gerando solu\u00e7\u00f5es que se auto-sustentam e se autoregeneram.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem usado o co-design em uma s\u00e9rie de workshops em todo o Reino Unido para ajudar a aumentar as habilidades para perceber novas oportunidades eco-econ\u00f4micas durante uma recess\u00e3o. Qual foi o resultado disso?<\/strong><\/p>\n<p>Aqueles participantes nos meus workshops de co-design s\u00e3o, em certa medida, ?auto-selecion\u00e1veis? ou seja, eles j\u00e1 estavam interessados em como projetamos necessidades para uma mudan\u00e7a positiva para n\u00f3s tornarmos mais eficazes nos aspectos ecol\u00f3gicos, social e econ\u00f4mico para gerar um arranjo de solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis confiaveis, genu\u00ednas.<\/p>\n<p>Os participantes dos workshops v\u00eam de todas as partes da comunidade de design &#8211; academia, ind\u00fastria, emprendimentos sociais e \u00f3rg\u00e3os do governo &#8211; mas eu acho que a maioria tinha um interesse comum em ?pesquisas no campo do design? e quest\u00f5es como, ?Para onde o Design seguir\u00e1??<br \/>\nO resultado mais significativo que eu vi dos participantes dos workshops \u00e9 a alegria de trabalhar em conjunto usando a abordagem de co-design e as vis\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es genu\u00ednas que essa abordagem fornece para novos conceitos empreendedores.<br \/>\nCo-design tamb\u00e9m parece construir ou fortalecer o sentimento de confian\u00e7a, um ingrediente essencial para impulsionar qualquer mudan\u00e7a real. Estou absolutamente certo de que algumas ?Sementes Conceituais? que criamos nos workshops ser\u00e3o lan\u00e7adas brevemente como novas empresas.<br \/>\nEmergir de uma enorme recess\u00e3o econ\u00f4mica e fiscal significa fazer as coisas de forma diferente ou fazer as mesmas coisas que j\u00e1 fazemos de uma maneira muito melhor. Ent\u00e3o, eu tenho certeza que todos aqueles que assistiram aos workshops de co-design agora podem perceber e visualizar as novas oportunidades que surgem da recess\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Seguindo este pensamento, o que voc\u00ea est\u00e1 esperando da visita ao Brasil e trabalhando de perto com o idds?<\/strong><\/p>\n<p>Minha conversa cont\u00ednua com o idds no Brasil tem sido de co-design (projetar colaborativamente) a minha ?visita?, a fim de obter o n\u00edvel m\u00e1ximo de proveito com o tempo curto que estarei l\u00e1 e de fazer com que a minha pegada de carbono gerada para estar em pessoa no Brasil seja a m\u00ednima poss\u00edvel.<br \/>\nEu j\u00e1 informei ao idds que quero que o Brasil seja o pa\u00eds onde vou transformar o ?co-design loop? (atualmente protegido por diretos autorais) em um projeto de acesso aberto que pode ser usado para o bem comum de todos.<br \/>\nAssim, os workshops no Brasil ser\u00e3o destinadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e treinamento de co-designers a utilizar o co-design loop e melhorar a sua pr\u00f3pria acessibilidade, utilidade e o seus impactos sustent\u00e1veis no contexto brasileiro que podem alcan\u00e7ar indiv\u00edduos, comunidades e natureza.<br \/>\nEm suma, vamos estar co-redesenhando o co-design loop para que se torne ainda mais acess\u00edvel, utiliz\u00e1vel e impactante do que j\u00e1 e\u00b4.<\/p>\n<p><strong>Como e por que o conceito de co-design entraria na cultura e mentalidade brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 minha primeira viagem ao Brasil, por isso vou ter que adivinhar na pr\u00e1tica a resposta para esta pergunta!<br \/>\nCreio que a abordagem do co-design \u00e9 muito oportuna neste momento para o Brasil e acho que o pa\u00eds ser\u00e1 muito receptivo ao potencial dela.<br \/>\nTalvez eu possa me explicar melhor, usando o ?prisma de sustentabilidade ou tetraedro. Os quatro componentes em cada ponto do tetraedro s\u00e3o economia, social, ambiental e institucional, ent\u00e3o aplicando o tetraedro ao Brasil, ter\u00edamos:<\/p>\n<p><strong>Economia &#8211;<\/strong><\/p>\n<p>Brasil \u00e9 uma economia forte e emergente com uma quantidade incr\u00edvel de recursos naturais, minerais e extens\u00f5es de terras.<br \/>\nEle saiu de uma recess\u00e3o muito rapidamente, em compara\u00e7\u00e3o com as velhas economias da Europa. Como pa\u00eds emergente tamb\u00e9m pode definir o caminho a seguir em termos de novos modelos econ\u00f4micos para o futuro.<\/p>\n<p><strong>Social &#8211;<\/strong><\/p>\n<p>O governo do Brasil \u00e9 de centro-esquerda e por isso mant\u00e9m uma dimens\u00e3o social \u00e0s suas atividades pol\u00edticas.<br \/>\nCo-design em um dos seus n\u00edveis \u00e9 tamb\u00e9m sobre eq\u00fcidade social e por isso acredito que vai se encaixar bem nas aspira\u00e7\u00f5es sociais, culturais locais.<br \/>\nEssa \u00e9 tamb\u00e9m a raz\u00e3o principal pelo qual eu escolhi para fazer o co-design loop, um projeto de acesso aberto aos workshops que farei no Brasil, algo in\u00e9dito no campo mundial do design. Estou convencido que o co-design e Brasil nasceram um para o outro.<br \/>\nCreio que o co-design pode desafiar a natureza insustent\u00e1vel dos modelos existentes e os tipos de empresas que contribuem para esses modelos.<\/p>\n<p><strong>Ambiental &#8211;<\/strong><\/p>\n<p>Se eu estivesse pensando em me mudar para um pa\u00eds com uma ?pegada ecol\u00f3gica? de menor impacto esse pa\u00eds seria o Brasil onde eu posso sentir-me seguro para os pr\u00f3ximos 100 anos. O Brasil tem terra e recursos suficientes para alimentar, dinamizar e sustentar sua popula\u00e7\u00e3o atual por algum tempo no futuro.<br \/>\nIsto deve dar a confian\u00e7a necess\u00e1ria para os brasileiros para co-projetar novas empresas que trabalhar\u00e3o em harmonia com a sociedade e a natureza. O Brasil tamb\u00e9m precisa manter a todo custo os ecosistemas estrat\u00e9gicos e fundamentais (como as florestas tropicais) para ajudar a atenuar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<br \/>\nEnt\u00e3o o resto do mundo deve incentivar o Brasil a adotar novos modelos empresariais que n\u00e3o destruir\u00e3o os recursos, mas que sim os alimentem.<\/p>\n<p><strong>Institucional &#8211;<\/strong><\/p>\n<p>Tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que as atividades da base da pir\u00e2mide s\u00e3o fortes na cultura brasileira e que as institui\u00e7\u00f5es com bases comunit\u00e1rias prov\u00e9m sustento consider\u00e1vel \u00e0 n\u00edvel local. Espero, portanto, que a abordagem co-design possa ampliar e fortalecer os benef\u00edcios destas institui\u00e7\u00f5es existentes.<br \/>\nEstou muito ansioso para colaborar com o idds e aplicar o co-design loop na realidade brasileira e ver a futuro os beneficios de essa abordagem para um pais t\u00e3o maravilhoso como o Brasil.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/lidis.ufrj.br\/blog\/media\/blog\/a\/dartington_glasgow_workshop_april_2009.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"280\" \/><\/div>\n<p><strong>Co-design loop no Abril com idds 2010<\/strong><\/p>\n<p>Fuad-Luke participar\u00e1 do evento Abril com idds 2010, realizando uma s\u00e9rie de workshops em torno de seu processo chamado co-design loop &#8211; um m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o inclusivo, onde aspectos sociais, econ\u00f4micos e ecol\u00f3gicos s\u00e3o tratados conjuntamente, gerando solu\u00e7\u00f5es comuns que atendem \u00e0s necessidades de todos os interessados. O objetivo dessa metodologia \u00e9 criar a sustentabilidade desde o in\u00edcio do processo e n\u00e3o apenas como resultado final, para assim responder a alguns dos mais prementes problemas da sociedade moderna.<\/p>\n<p>O foco dos workshops de Alastair Fuak-Luke no Abril com idds 2010 ser\u00e1 a transfer\u00eancia de conhecimento, de modo que os participantes sejam equipados para difundir a pr\u00e1tica de co-design loop e suas ferramentas para usu\u00e1rios externos. E que esses usu\u00e1rios, por sua vez, possam transmitir esse conhecimento espec\u00edfico tamb\u00e9m em outro contexto.<\/p>\n<p>Nos workshops haver\u00e1 \u00eanfase na utiliza\u00e7\u00e3o da linguagem, express\u00e3o e significado. Fuad-Luke vai mostrar como a linguagem correta pode diminuir ou enriquecer o processo criativo e a comunica\u00e7\u00e3o entre os diferentes setores divergentes. O trabalho ser\u00e1 conduzido em ingl\u00eas e portugu\u00eas, para que os participantes do workshop possam aplicar esse processo criativo em seu pr\u00f3prio idioma e assim expressar-se livremente no seu contexto cultural.<\/p>\n<p><strong>Maiores informa\u00e7\u00f5es sobre o evento<br \/>\n<a href=\"mailto:info@idds.com.br\">info@idds.com.br<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.idds.com.br\/\">http:\/\/www.idds.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><a href=\"http:\/\/lidis.ufrj.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/avatar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-327\" title=\"LABDIS\" src=\"http:\/\/lidis.ufrj.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/avatar.jpg\" alt=\"LABDIS\" width=\"43\" height=\"43\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Alastair Fuad-Luke Por GINA LOVETT, EDITORA DO DESIGN FOOTPRINT Tradu\u00e7\u00e3o: MARCIO DUPONT Alastair Fuad-Luke \u00e9 um designer de &hellip; <a href=\"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/?p=112\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Entrevista com Alastair Fuad-Luke<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cat22"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=112"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1365,"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions\/1365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.lidis.ufrj.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}